sábado, 1 de maio de 2010

Terceiro Editorial

A humanidade caminha e cada geração deixa sua experiência, aperfeiçoando o conhecimento: O Congresso Afro-Brasileiro que editou a carta de Uberaba-MG(1979) e a Proclamação de Ribeirão Preto-SP (1979). Naquele momento da história, uma proposta política de iniciativa das populações que foram escravizadas e comercializadas foi construída e suas reflexões foram abertas ao mundo. Essas foram propostas que marcaram aquele momento político e hoje dialogam e se incorporam, na atualidade, ao Seminário “Milton Santos: Vida e Obra”. Esse seminário é a continuidade do processo de aprendizado da democracia pela ruptura com as perspectivas racistas e opressoras. A proposta do seminário que acontece nessa terça, 04/05/2010, na Câmara dos Deputados, é discutir parâmetros para a construção de um espaço social, histórico e geográfico mais justo, que envolva a educação e cultura. Milton Santos é um símbolo e uma referência, dentre tantas outras, que apontam para o aperfeiçoamento dos conhecimentos do espaço dentro do espaço, numa perspectiva holística. Esse blog parabeniza a iniciativa desse Seminário e se mantém em parceria com todas as outras iniciativas equivalentes. O plenário representa a voz do povo nas decisões políticas.

14 comentários:

  1. O Homem

    Milton Santos é considerado o mais importante geógrafo brasileiro, reconhecimento este
    que se estende às suas qualidades de intelectual que vão além das fronteiras nacionais.
    Nasceu no município baiano de Brotas de Macaúbas em 1926 e aos 13 anos já dava aulas
    de Matemática no ginásio em que estudava - Instituto Baiano de Ensino. Aos 15, passou a
    lecionar Geografia.
    Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e atuou no
    movimento estudantil, chegando a ser eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes
    (UNE). Em 1948, o fato de formar-se em Direito pela UFBA, não o impediu de se interessar
    pela Geografia, tanto que fez concurso para professor catedrático no Colégio Municipal
    de Ilhéus com o objetivo de lecionar esta disciplina. Nesta cidade dedicou-se à atividade
    jornalística, estreitando sua amizade com políticos de esquerda.
    Retornou para Salvador e tornou-se professor na Faculdade Católica de Filosofia e
    editorialista do jornal “A Tarde”, onde publicou diversos artigos de geografia.
    Em 1958, concluiu doutorado (com a tese “O Centro da Cidade de Salvador”) na
    Universidade de Estrasburgo (França). Tendo viajado pela Europa e pela África, publicou em
    1960 o estudo “Mariana em Preto e Branco”.
    Defendeu com brilhantismo a tese “Os Estudos Regionais e o Futuro da Geografia”
    na Universidade Federal da Bahia, da qual foi um dos fundadores do Laboratório de
    Geomorfologia e Estudos Regionais.
    Com o golpe militar de 1964, Milton Santos foi preso e depois exilado. Como professor
    convidado lecionou durante três anos na Universidade de Toulouse (França). Na década
    de 1970 estudou e trabalhou em universidades no Peru, na Venezuela e nos EUA, onde foi
    pesquisador no Massachusetts Institute of Technology (MIT).
    Retornou ao Brasil em 1977, quando publicou a obra “Por uma Geografia Nova”.
    Anos depois galgou o posto de professor titular da Universidade de São Paulo (USP). Em
    1994, recebeu o Prêmio Vautrim Lud, considerado “o Nobel da geografia”. Foi consultor da
    Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA).
    Milton Santos acrescentou importantes discussões à Geografia, como a retomada da leitura
    de autores clássicos, além de ter sido um dos expoentes do movimento de renovação crítica da
    disciplina numa perspectiva holística.
    Para a deputada Lídice da Mata (PSB-BA), idealizadora do Seminário sobre Milton
    Santos, o debate em torno da obra de um dos mais importantes intelectuais brasileiros de
    todos os tempos, é de fundamental importância para a compreensão da realidade mundial e
    particularmente para a realidade brasileira,
    “Milton Santos foi um intelectual brilhante, um brasileiro negro que não só superou
    preconceitos de cor e de classe social, mas que também foi pioneiro na análise crítica da
    globalização e suas consequências desiguais para grande parcela da população mundial”,
    explica a Deputada.

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  2. A Obra

    Povoamento da Bahia: suas causas econômicas (Salvador, 1948)
    Os estudos regionais e o futuro da geografia (Salvador, 1953)
    Zona do cacau, introdução ao estudo geográfico (Salvador, 1955)
    Estudos da geografia da Bahia (Salvador, 1958)
    Localização industrial (Salvador, 1958)
    A cidade como centro de região (Salvador, 1959)
    Marienne em preto e branco- Viagens (Salvador, 1960)
    A rede urbana do recôncavo (Salvador, 1959)
    O centro da cidade de Salvador (Salvador, 1959)
    A Cidade nos países subdesenvolvidos (Rio, 1965)
    Croissance démographique consommation alimentaire dans les pays sous-développés (Paris, 1967)
    Aspects de la géographiede l’économie urbaine des pays sous-développés (Paris, 1967)
    Dix essais sur les villes des pays-sous-developpés (Paris, 1967)
    Le métier du géographe en pays sous-développés (Paris, 1971)
    Les villes du Tiers Monde (Paris, 1971)
    Geografía y economía urbanas en los países subdesarrolados (Barcelona, 1973)
    Underdevelopement and Poverty: a Geographer’s View (Toronto, 1975)
    L’Espace partagé (Paris, 1975)
    Por uma Geografia Nova( São Paulo, 1978)
    O trabalho do geógrafo no terceiro mundo (São Paulo, 1978)
    Pobreza Urbana (São Paulo, 1978)
    O espaço dividido (Rio, 1978)
    Economia espacial: críticas e alternativas (São Paulo, 1978)
    The Shared Space: the two circuits of the urban economy and Its Spatial Repercussions (Londres, 1979)
    Espaço e Sociedade (Petrópolis, 1980)
    A urbanização desigual (Petrópolis, 1980)
    Manual da geografia urbana (São Paulo, 1981)
    Pensando o espaço do homem (São Paulo, 1982)
    Ensaios sobre a urbanização latino-americana (São Paulo, 1982)
    Por une géographie nouvelle (Paris, 1985)
    Espaço e método(São Paulo, 1985)
    Espacio y Método (Barcelona, 1986)
    O espaço do cidadão (São Paulo, 1987)
    Metamorfoses do espaço habitado (São Paulo, 1988)
    Novos rumos da geografia brasileira (São Paulo, 1988)
    Por una geografia nueva (Madrid, 1990)
    Metrópole corporativa fragmentada: o caso de São Paulo (São Paulo, 1990)
    Espace e Méthode (Paris, 1990)
    A urbanização brasileira (São Paulo, 1993)
    Por uma economia política da cidade (São Paulo, 1994)
    Técnica, Espaço, Tempo: globalização e meio técnico científico informacional (São Paulo, 1994)
    De la totalidad al lugar (Barcelona, 1996)
    Metamorfoses do espaço habitado (São Paulo, 1996)
    Fim de século e globalização (São Paulo, 1997)
    Pensando o espaço do homem (São Paulo, 1997)
    Por uma outra globalização (Rio, 2000)
    Território e sociedade (São Paulo, 2000)
    Brasil: território e sociedade no início do século 21 (Rio, 2000)

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  3. Veja o texto da Presidenta da Comissão de Educação do Senado, em http://www.fatimacleide.com.br/?p=8021 .

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  4. O senso crítico presente na ação dos geógrafos mais críticos, é fruto das produções teóricas deste grande homem; MILTON SANTOS. Parabéns ao blog pela divulgação da sua obra. Abraços! Milton Saito

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  5. Olá Waldimiris, satisfação imensa. Acabei de visitar o teu blog. e gostei muito das suas bandeiras de luta. Resido no Japão e tenho este blog BR/JAPAN que está alojado no portal jornalístico Webnews.com e também assino outro com minha esposa no Portal UNIOL - Blog do Saito e Cristiane Nagafuti - (http://www.uniol.com.br/). Conte conosco para divulgar sua luta. Acabei de postar um comentário no teu blog. Seja bem-vindo! Abraços! Milton Saito
    Enviei um e-mail para o senhor e acabou retornando como endereço inválido. Abraços! M. Saito

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  6. Milson Santos é sem dúvidas um dos grandes nomes brasileiros. Alguém que precisa ser mais divulgado para a nova geração! Deixo registrado minha admiração por ele e por seus seguidores!
    As universidades públicas e particulares no Brasil e no mundo devem lecionar urgentemente sobre ele!
    Faço também uma indagação: será se ainda o corpo docente desse país é racista por não divulgar Milton Santos como ele merece? Por ele ser negro e nordestino?


    Marcela Passos
    Estudante de Letras da UnB
    E integrante do grupo Literatura e Modernidade Periférica

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  7. Francisca Souza Mendes - moradora da fazenda Serafim em Santa Rita de Cássia - BA.

    Mãe de 7 filhos, esposa, filha de Tereza Figueredo de Souza que foi educadora no perido de 1930 a 1970, alfabetizzando crianças nascidas nas fazendas: estreito, tapera, barrocão, pau-de-canoa e mansidão-BA. A minha mãe fez esse trabalho voluntário dando com isso uma contribuição de cidadania e liberdade democratica para o pais, interagindo com o trabalho de Milton Santos e quero parabenizar a minha conterranea Deputado Lidíce da Mata por ter requerido e realizado o seminário sobre a Vida e obra de Milton Santos. Agradecemos o empenho de Waldimiro de Souza pelo processo de consquista e valorização do poder civil e da ordem democrática.

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  8. Parabéns pelos seus textos publicados! Muito interessante as suas homenagens ao ilustre Milton Santos! Esse homem é um guerreiro, pena ainda não ter o grande reconhecimento perante a nossa sociedade.

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  9. Wellington Oliveira16 de dezembro de 2010 20:11

    Igualdade na segurança pública

    Márcia Virgens*

    A população afrodescendente, maioria no nosso país, tem sido, historicamente, a principal vítima de todas as formas de violência praticadas contra o ser humano. O seqüestro dos povos negros oriundos do continente africano e a manutenção do regime escravocrata pelo Estado brasileiro por mais de três séculos, são apenas o começo deste sistema de violências imposto sobre esta parcela da população. A falsa libertação, encenada pela Lei Áurea e o abandono da população negra pelo Estado, produziram, ao longo da história, um enorme abismo entre negros e brancos. Passados mais de 100 anos do fim da escravidão, o Brasil ainda não conseguiu solucionar problemas graves, como a melhoria da qualidade da educação pública, onde as cadeiras são majoritariamente ocupadas pelos negros.

    Todas estas violações, sejam elas no plano material ou simbólico, resultaram na construção de um ideário perverso. Este conjunto de idéias coloca o negro numa posição extremamente desfavorável e pode ser apontado como uma das principais causas para os alarmantes índices de violência policial contra esta parte da população.

    Diante deste cenário e das recorrentes reclamações do movimento social, repudiando o modus operandi dos policiais no trato com as populações negras, um grupo de entidades da sociedade civil solicitou uma audiência com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), para a apresentação de relatórios sobre o perfil racial da atuação das forças policiais no Brasil. A sessão, intitulada “Brutalidade Policial em Face dos Afrodescendentes no Brasil”, aconteceu no último dia 25 de outubro, em Washington, D.C., durante o 140º Período Ordinário de Sessões da CIDH.

    A juíza federal Taís Schilling Ferraz, da 4ª Região do Supremo Tribunal Federal (STF), foi a responsável por falar em nome do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), um dos órgãos que representou o Brasil na audiência. A magistrada reconheceu os problemas relacionados à violência policial e ao racismo institucional ainda existentes no país, mas também apresentou progressos, adotando como exemplo as ações do Programa de Capacitação e Educação em Direitos Humanos do Ministério Público do Estado da Bahia (Procedh/MP-BA), o qual tenho a honra de coordenar.

    O Procedh é uma realização conjunta do Ministério Público, através da Fundação Escola Superior do MP (Fesmip), do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). O programa tem como meta a ampliação do conhecimento dos agentes do setor público responsáveis pelo controle da ordem, manejo da força pública e administração da Justiça, nas questões relacionadas aos Direitos Humanos, à Segurança Pública e à Cidadania.

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  10. Wellington Oliveira16 de dezembro de 2010 20:11

    Igualdade na segurança pública

    Márcia Virgens*

    A população afrodescendente, maioria no nosso país, tem sido, historicamente, a principal vítima de todas as formas de violência praticadas contra o ser humano. O seqüestro dos povos negros oriundos do continente africano e a manutenção do regime escravocrata pelo Estado brasileiro por mais de três séculos, são apenas o começo deste sistema de violências imposto sobre esta parcela da população. A falsa libertação, encenada pela Lei Áurea e o abandono da população negra pelo Estado, produziram, ao longo da história, um enorme abismo entre negros e brancos. Passados mais de 100 anos do fim da escravidão, o Brasil ainda não conseguiu solucionar problemas graves, como a melhoria da qualidade da educação pública, onde as cadeiras são majoritariamente ocupadas pelos negros.

    Todas estas violações, sejam elas no plano material ou simbólico, resultaram na construção de um ideário perverso. Este conjunto de idéias coloca o negro numa posição extremamente desfavorável e pode ser apontado como uma das principais causas para os alarmantes índices de violência policial contra esta parte da população.

    Diante deste cenário e das recorrentes reclamações do movimento social, repudiando o modus operandi dos policiais no trato com as populações negras, um grupo de entidades da sociedade civil solicitou uma audiência com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), para a apresentação de relatórios sobre o perfil racial da atuação das forças policiais no Brasil. A sessão, intitulada “Brutalidade Policial em Face dos Afrodescendentes no Brasil”, aconteceu no último dia 25 de outubro, em Washington, D.C., durante o 140º Período Ordinário de Sessões da CIDH.

    A juíza federal Taís Schilling Ferraz, da 4ª Região do Supremo Tribunal Federal (STF), foi a responsável por falar em nome do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), um dos órgãos que representou o Brasil na audiência. A magistrada reconheceu os problemas relacionados à violência policial e ao racismo institucional ainda existentes no país, mas também apresentou progressos, adotando como exemplo as ações do Programa de Capacitação e Educação em Direitos Humanos do Ministério Público do Estado da Bahia (Procedh/MP-BA), o qual tenho a honra de coordenar.

    O Procedh é uma realização conjunta do Ministério Público, através da Fundação Escola Superior do MP (Fesmip), do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). O programa tem como meta a ampliação do conhecimento dos agentes do setor público responsáveis pelo controle da ordem, manejo da força pública e administração da Justiça, nas questões relacionadas aos Direitos Humanos, à Segurança Pública e à Cidadania.

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  11. Igualdade na segurança pública

    Márcia Virgens*

    A população afrodescendente, maioria no nosso país, tem sido, historicamente, a principal vítima de todas as formas de violência praticadas contra o ser humano. O seqüestro dos povos negros oriundos do continente africano e a manutenção do regime escravocrata pelo Estado brasileiro por mais de três séculos, são apenas o começo deste sistema de violências imposto sobre esta parcela da população. A falsa libertação, encenada pela Lei Áurea e o abandono da população negra pelo Estado, produziram, ao longo da história, um enorme abismo entre negros e brancos. Passados mais de 100 anos do fim da escravidão, o Brasil ainda não conseguiu solucionar problemas graves, como a melhoria da qualidade da educação pública, onde as cadeiras são majoritariamente ocupadas pelos negros.

    Todas estas violações, sejam elas no plano material ou simbólico, resultaram na construção de um ideário perverso. Este conjunto de idéias coloca o negro numa posição extremamente desfavorável e pode ser apontado como uma das principais causas para os alarmantes índices de violência policial contra esta parte da população.

    Diante deste cenário e das recorrentes reclamações do movimento social, repudiando o modus operandi dos policiais no trato com as populações negras, um grupo de entidades da sociedade civil solicitou uma audiência com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), para a apresentação de relatórios sobre o perfil racial da atuação das forças policiais no Brasil. A sessão, intitulada “Brutalidade Policial em Face dos Afrodescendentes no Brasil”, aconteceu no último dia 25 de outubro, em Washington, D.C., durante o 140º Período Ordinário de Sessões da CIDH.

    A juíza federal Taís Schilling Ferraz, da 4ª Região do Supremo Tribunal Federal (STF), foi a responsável por falar em nome do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), um dos órgãos que representou o Brasil na audiência. A magistrada reconheceu os problemas relacionados à violência policial e ao racismo institucional ainda existentes no país, mas também apresentou progressos, adotando como exemplo as ações do Programa de Capacitação e Educação em Direitos Humanos do Ministério Público do Estado da Bahia (Procedh/MP-BA), o qual tenho a honra de coordenar.

    O Procedh é uma realização conjunta do Ministério Público, através da Fundação Escola Superior do MP (Fesmip), do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). O programa tem como meta a ampliação do conhecimento dos agentes do setor público responsáveis pelo controle da ordem, manejo da força pública e administração da Justiça, nas questões relacionadas aos Direitos Humanos, à Segurança Pública e à Cidadania.

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  12. Igualdade na segurança pública

    Márcia Virgens*

    A população afrodescendente, maioria no nosso país, tem sido, historicamente, a principal vítima de todas as formas de violência praticadas contra o ser humano. O seqüestro dos povos negros oriundos do continente africano e a manutenção do regime escravocrata pelo Estado brasileiro por mais de três séculos, são apenas o começo deste sistema de violências imposto sobre esta parcela da população. A falsa libertação, encenada pela Lei Áurea e o abandono da população negra pelo Estado, produziram, ao longo da história, um enorme abismo entre negros e brancos. Passados mais de 100 anos do fim da escravidão, o Brasil ainda não conseguiu solucionar problemas graves, como a melhoria da qualidade da educação pública, onde as cadeiras são majoritariamente ocupadas pelos negros.

    Todas estas violações, sejam elas no plano material ou simbólico, resultaram na construção de um ideário perverso. Este conjunto de idéias coloca o negro numa posição extremamente desfavorável e pode ser apontado como uma das principais causas para os alarmantes índices de violência policial contra esta parte da população.

    Diante deste cenário e das recorrentes reclamações do movimento social, repudiando o modus operandi dos policiais no trato com as populações negras, um grupo de entidades da sociedade civil solicitou uma audiência com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), para a apresentação de relatórios sobre o perfil racial da atuação das forças policiais no Brasil. A sessão, intitulada “Brutalidade Policial em Face dos Afrodescendentes no Brasil”, aconteceu no último dia 25 de outubro, em Washington, D.C., durante o 140º Período Ordinário de Sessões da CIDH.

    A juíza federal Taís Schilling Ferraz, da 4ª Região do Supremo Tribunal Federal (STF), foi a responsável por falar em nome do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), um dos órgãos que representou o Brasil na audiência. A magistrada reconheceu os problemas relacionados à violência policial e ao racismo institucional ainda existentes no país, mas também apresentou progressos, adotando como exemplo as ações do Programa de Capacitação e Educação em Direitos Humanos do Ministério Público do Estado da Bahia (Procedh/MP-BA), o qual tenho a honra de coordenar.

    O Procedh é uma realização conjunta do Ministério Público, através da Fundação Escola Superior do MP (Fesmip), do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). O programa tem como meta a ampliação do conhecimento dos agentes do setor público responsáveis pelo controle da ordem, manejo da força pública e administração da Justiça, nas questões relacionadas aos Direitos Humanos, à Segurança Pública e à Cidadania.

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  13. Este blog representa o que há de mais relevante para o entendimento das mazelas que o racismo impõe a quase todos os brasileiro durante o seu desenvolvimento como cidadão. A percepção da importância da batalha contra o racismo para a concretização da possibilidade da cidadania (direitos políticos, civis e sociais) é tema de primeira necessidade para a formação de um país plenamente desenvolvido;

    Parabéns ao Sr. Waldimiro.

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  14. Milton Santos é homenageado em colóquio na UFBA

    Evento marca a passagem dos 10 anos da morte do intelectual

    “Cultura Local, Mercado Global”. Este é o tema da terceira edição do colóquio na Universidade Federal da Bahia (UFBA) que lembra o pensamento e registra os 10 anos da morte do único intelectual brasileiro ganhador do “Nobel” da Geografia, o baiano Milton Santos (1926-2001). Várias outras atividades, no Brasil e mesmo no exterior, devem ocorrer a partir de junho, mês de sua morte.

    Milton Santos escreveu mais de 40 livros, foi professor da UFBA, da USP e de várias universidades na Europa, América Latina, Estados Unidos, Canadá, na África e mesmo no Japão. O Prêmio Vautrin Lud, considerado o “Nobel” da área, foi-lhe agraciado na França, como distinção feita ao primeiro intelectual do hemisfério sul e do mundo não-anglo-saxão, em 1991.

    O ato solene que instalará o colóquio - aberto ao público - acontece no Salão Nobre da Reitoria, a partir das 18h30, do próximo seis de junho, com apresentação do Madrigal da UFBA. Autoridades diversas dos campos da cultura, da universidade, dos governos e da sociedade civil estão sendo convidadas a prestigiar o evento. Servidores técnico-administrativos, estudantes e professores estão sendo mobilizados.

    Com apoio do Instituto Anísio Teixeira/Secretaria de Educação do Estado, as mesas-redondas na manhã do dia sete de junho serão transmitidas para todas as regiões da Bahia por videoconferência. O objetivo é envolver professores das redes públicas estadual e municipal com a discussão sobre as contribuições do geógrafo Milton Santos para as ciências e o conhecimento. Haverá ainda GTs (Grupos de Trabalho) na tarde do mesmo dia sete, dessa vez nas instalações da Faculdade de Comunicação da UFBA, em Ondina.

    Att.
    Wellington Oliveira
    Assessoria de Comunicação
    Tel.: +55 71 3320-0438 | 8844-3422

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