quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O avivamento ao poder civil pelos afro-descendentes

Quando completa 100 anos de abolição (em 1988) essa população majoritária do nosso querido país, foi avivar o Brasil adormecido em berço esplendido como bem retrata Milton Santos: “que as pessoas capitulam pelo conforto que é simpático”. Embora as elites brasileiras sejam insensíveis aos fatos acontecidos no dia-a-dia, ocorre nas entranhas da estrutura de poder a perversidade cultural, daí advém reproduzidos nos atos de governo e em todas as instâncias a quinquilharia diante de toda a população brasileira. Já em 79 a população afro-descendente apresenta há nação duas propostas políticas: A carta de Uberaba e A proclamação de Ribeirão Preto.

Em 87 o livro “Educação e Discriminação dos Negros” foi escrito e editado pelo ministério da educação, fundação de apoio ao estudante, pelo instituto de recursos humanos João Pinheiro – BH e com a participação da Gerência de capitação de docentes do IRHJP, da Diretória de Apoio Didático Pedagógico (DADP) e da Faculdade de Educação da UFMG. As organizações que assinaram o livro: Carlos Pereira de Carvalho e Silva – Fundação de Assistência ao Estudante, Maria José de Souza – Centro de Integração Cultural Comercial Afro-Brasileiro; Orlando Costa – Instituto Nacional Afro-Brasileiro; Januário Garcia – Instituto de Pesquisa das Culturas Negras; Waldimiro de Souza – Centro de Estudos Afro-Brasileiro (CEAB); Orlando Alves do Nascimento – Movimento Negro Unificado; Raquel de Oliveira – Grupo de Trabalho para Assuntos Afro-Brasileiros e Secretária de Educação de São Paulo; José Eustácio de Brito – Grupo de União e Consciência Negra; Gilberto Roque Nunes Leal – Conselho de Entidades Negras da Bahia e Helena Theodoro Lopes – Comissão de Cultura Afro-Brasileira e da Secretária de Cultura Municipal do Rio de Janeiro.Esse livro foi publicado graças ao seminário Educação e Discriminação dos Negros em Belo Horizonte-MG no Instituto de Recursos Humanos João Pinheiro.

Em 14/01/83 foi publicado no Jornal Vanguarda de Brasília o seguinte assunto: “Grupo Afro do DF viajou para Uberaba”. A seguir um trecho da publicação: “Uma comitiva de Brasília liderada pelo secretário-geral do Centro de Estudos Afro-Brasileiros, Waldimiro de Souza, também presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do DF, pelo advogado Carlos Alves Moura, Vice-Presidente da entidade e o professor e jornalista Natalino Cavalcante de Melo, diretor-tesoureiro viajou a Uberaba para um contato oficial com o prefeito eleito da cidade, Wagner Nascimento. O grupo brasiliense foi a Uberaba a convite do prefeito que se incorporará à comitiva e virá ao Distrito Federal para contatos na área diplomática – Países africanos e latino-americanos sobre tudo – lideranças parlamentares, imprensas e círculos empresariais.”

Em 15/11/83 foi publicado no Jornal Correio Brasiliense o seguinte assunto: “CEAB promove consciência negra”. A seguir um trecho da publicação: “O Centro de Estudos Afro-Brasileiros – CEAB – e o Memorial Zumbi promovem amanhã no Auditório da Associação Comercial. Às 19 horas, dois grandes eventos comemorativos do dia 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra: a entrega de título de “cidadão honorário” aos embaixadores de Costa do Marfim, Gabão, Gana, Haiti, Nigéria, Senegal, Togo e Zaire, ao Deputado Abdias do Nascimento, ao engenheiro Wagner Nascimento (prefeito da cidade de Uberaba), a Dom José Maria Pires, “Dom Zumbi” (Arcebispo da Paraíba) e a Teodoro Freire, presidente do Centro de Tradições Populares de Sobradinho – e um debate com a participação de Abdias do Nascimento, do Deputado Elquisson Soares, de Dom José Maria Pires, do antropólogo Olímpio Serra e de um representante do Movimento Negro Unificado do DF.”

Em 23 e 24 de Novembro de 1984 aconteceu o Encontro Nacional de Uberaba no qual foi apresentada uma proposta de governo “O negro e a sucessão presidencial”, foi apresentada pelos descendentes Afro-Brasileiros pela FRENABRA à nação, ao país e ao mundo.

O apoio que a proposta política dos Afro-Descendentes obteve dos senhores congressistas brasileiros nesse processo de avivamento da história foram dos: Carlos Santos do MDB do RS, Adalberto Camargo MDB de SP, Teodosina Ribeiro Deputada Estadual de SP, Freitas Nobre do MDB de SP, Elquisson Soares do MDB da BA, Benedita da Silva do PT do RJ, Abdias do Nascimento do PDT do RJ, Senadora Laélia Alcântara do PBDB do Acre, Deputado Aluísio Santos MDB do ES, Deputado Francisco Elesbão do PMDB de RR, Alceu Colares do PMDB do RS, Jorge de Paula do MDB de SP, também a carta do pronunciamento do Senador Itamar Franco e teve a participação de todos os partidos que tinham acento no senado e na câmara dos deputados em 1980, no qual o Senador Itamar editou o livro “O negro no Brasil atual 1980”.

Em 2011 a ONU proclama as nações a ela filiada o ano do Afro-descendente com a assembléia 64ª. Segue abaixo parte da resolução:

“Assembléia Geral da ONU declara 2011 o Ano dos Afro-descendentes.

A Assembléia Geral das Nações Unidas em sua 64ª sessão aprovou declarar o ano 2011, “Ano Internacional dos Afro-descendentes” com o objetivo de fortalecer as medidas nacionais e a cooperação regional e internacional em benefício dos afro-descendentes em relação ao gozo pleno de seus direitos econômicos, culturais, sociais, civis e políticos, sua participação e inclusão em todas as esferas da sociedade e a promoção de um maior respeito e conhecimento da diversidade, sua herança e sua cultura.

20 comentários:

  1. Diário do Congresso Nacional
    Sexta-feira, 24 de maio de 1991

    A seguir um trecho do discurso do Deputado Aluísio Santos do PMDB do ES: " O Brasil não é apenas diferente. É muitíssimo diferente.
    A começar do portugués, povo mestiço, e cuja recente entrada no Mercado Comum Europeu denota tão-somente uma convivência com uma Europa que se julga branca(esquecendo a mestiçagem mediterrânea) e que vem apresentando presentemente as mais hostis formas de discriminação racial; passando,a seguir, pelo silvícola pré-cabralino e pelos africanos que para cá vieram. O Brasil, que além do mais é tropical, algo insólito na história universal, ao pretender ser a primeira civilização nos trópicos, algo que não é agradável aos olhos e ouvidos dos antigos colonizadores, queriam ou não os neocolonizadores, frimar-se-á como nação de maioria afro, com identidade própia, somando-se as etnias iniciais e as demais que para cá aportaram."

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  2. Diário do Congresso Nacional
    Quinta-feira, 29 de novembro de 1979

    A seguir um trecho do início do discurso do Deputado Jorge Paulo do MDB de SP: " Sr. Presidente, Srs. Deputados, desejo mais uma vez nesta oportunidade, confessar a minha satisfação em ter laços de afinidade com o negro no Brasil, especialmente sendo o porta voz da grandiosa família nordestina que faz de São Paulo um novo estado de nordestinos no sul do Brasil, chegando hoje à expressiva quantidade de cerca de 4 milhões de almas, que, com seu dinamismo e amor à Pátria, edificam com tanto brio a pujança que é São Paulo. A família baiana, pontifica na Capital bandeirantes em todos os setores de atividade. Gostaria de registrar nos Anais desta Casa a homenagem a Zumbi, feita na cidade de Ribeirão Preto, quando foram tratados importantes assuntos sobre a integração desses nossos queridos irmãos e pontificou o negro sob a visão política do estadista da República de Palmares do Brasil de hoje."

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  3. Diário do congresso Nacional
    Terça-feira, 2 de junho de 1992

    A seguir um trecho do discurso do Deputado José Carlos Vasconcellos do PRN de PE: " Sr. Presidente, Srs. Deputados, gostaria de parabenizar, por meio deste pronunciamento, a iniciativa do Ministro da Educação, José Goldemberg, de aproveitar as propostas encaminhadas pelo Centro de Estudos Afro-Brasileiros (CEAB) para uma revisão da historiografia oficial do ensino no País. O Projeto Zumbi vem sendo desenvolvido por essa entidade civil apartidária desde 1977, mas só agora, com total apoio do Governo Federal, encontra meios para a sua concretização. O principal objetivo das propostas de alteração no conteúdo programático dos livros didáticos nacionais é o resgate da importância da raça negra na fromação do nosso País. Afinal, conforme dados do IBGE, 51% da população brasileira é formada por negros. O primeiro passo para a implantação do Projeto Zumbi será dado no próximo dia 5 de junho, quando será realizado um seminário interno no Ministério da Educação, com a participação de pedagogos, professores e editores de livros didáticos. Durante o seminário, será discutida a adoção de modificações com base nos estudos já desenvolvidos pelo Centro de Estudos Afro-Brasileiros. A entidade realizou um levantamento seletivo da bibliografia existente sobre o assunto, e, entre as obras utilizadas para embasamento teórico da pesquisa, destacam-se livros como " O Negro no Brasil Atual", de autoria do Vice- Presidente da República, Itamar Franco. A partir de uma mudança no conteúdo didático dos livros utilizados no País, os alunos das redes pública e privada poderão aprofundar o conhecimento da história política, econômica e cultural da população negra na formação do Brasil."

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  4. Diário do Congresso Nacional
    Quinta-feira, 27 de junho de 1991

    A seguir um trecho do discurso do Deputado Wagner do Nascimento do bloco de MG: “ Sr. Presidente, Srsª. e Srs Deputados, o Presidente da República do Brasil prepara-se para mais uma viagem ao exterior. Desta vez, seu destino é a África negra, onde a maioria do povo brasileiro tem suas raízes. O Brasil apresenta muita afinidades com a África, poder-se ia dizer até mesmo semelhanças. Contudo, maior que a vastidão oceânica é a profunda desinformação entre brasileiros e africanos, a ponto de o negro africano desconhecer quais são as aspirações do nosso povo, e muito especialmente do negro brasileiro, e o brasileiro, e muito particularmente o negro, não tomar conhecimento das esperanças e desesperanças de um povo que ofereceu em holocausto os seus filhos mais vigorosos para promover a ocupação do nosso território e, consequentemente, a formação da sociedade brasileira.
    Se tudo nos une, a mesma ação colonizadora - que fracionou o continente africano e aqui impediu a ascensão econômica, social, política e cultural do negro brasileiro - persiste até nossos dias sob os mais variados artifícios, inclusive o atualíssimo, o da "nova ordem mundial", ditada pela única superpotência após o trágico episódio do Golfo Pérsico. É admirável o esforço do Governo Collor em pretender inserir o Brasil no chamado Primeiro Mundo - exclusivíssimo clube do qual o Sr.Gorbatchev participará em Londres apenas como humilhado observador de uma ex-superpotência -, mas a política econômica que deveria ser a mola propulsora para esse arrojado salto, nesses quinze anos, como era esperado, apresentou apenas sua face mais cruel, qual seja o arrocho salarial, o desemprego, a pauperização, a miséria, enfim, a recessão - tão ao gosto dos gestores da economia dos organismos financeiros internacionais -, provocando o desestímulo à produção, e, como consequência, a fuga de capitais e o retraimento de aporte de novos recursos financeiros. Enfim, o que se vê, pelos números oferecidos pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é que o Brasil marcha célebre do terceiro para o quarto mundo, onde miséria e barbárie marcham juntas no analfabetismo, nos crimes hediondos, no desemprego e no subemprego, na falta de moradia e até na ausência de saneamento e de equipamentos urbanos, expondo os habitantes desta parte da terra a todo tipo de endemias e epidemias que grassam na miséria e são filhas diletas da ausência dos hábitos de higiene."

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  5. Dou meus parabéns ao amigo Waldimiro, pelo belo trabalho publico.
    É de suma importância que a sociedade tenha esta mesma consciência, podendo assim os afro-descendetes ter seu lugar de direito no mundo!
    Mas uma vez meus parabéns.
    Abraços
    Léo - leonardosilvas@gmail.com

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  6. 13/09/1979
    José Frejat –(MDB – RJ)
    Congresso Afro-Brasileiro, Uberaba, Minas Gerais
    O Sr. Jose Frejat (MDB – RJ, pronuncia o seguinte discurso) – Sr. Presidente, Srs. Deputados, somos uma nação de mestiços, onde a maioria da população, constituída de negros e morenos, vive marginalizada da riqueza que produz.
    A discriminação racial no Brasil só não existe na lei, mais é fato solar, inescondível. E os donos do poder são os responsáveis por essa situação que os favorece. Os baixos salários, os cargos menos importantes são para os negros. Com isso, lucram os empresários, as multinacionais.
    Num país de negros, não temos um presidente, vice-presidente, ministro ou embaixador negro.
    Realizou-se de 7 a 9 de setembro corrente, em Uberaba, o Congresso Afro-Brasileiro, com a presença de negros brasileiros e suas entidades representativas. E aprovaram a Carta de posicionamento político que faz parte integrante deste meu pronunciamento, para que conste dos Anais da Câmara dos Deputados.

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  7. Então Governador Orestes Quércia do Estado de SP.
    “A Cólera dos Generosos é também um painel, por onde desfilam personalidades tão díspares quanto Luís Gama, Júlio mesquita, John Kennedy e Zumbi. Todos, entretanto, com um denominador comum: A luta contra as injustiças e o sonho de uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais humana, onde os homens possam lutar livremente pelo seu quinhão de felicidade, como garante a Declaração Universal dos Direitos do Homem, uma verdade em que Eduardo Oliveira acredita e tenta tornar realidade.”

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  8. Diário do Congresso Nacional
    Novembro de 1979, quarta-feira 28.
    A seguir parte do discurso do Deputado Elquisson Soares do MDB da BA.
    “O Sr. Presidente(Alexandre Costa) – Srs. Congressistas, é evidente a falta de quorum para prosseguimento da sessão.
    O Sr. Elquisson Soares ( MDB – BA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, antes que seja feita tal verificação, gostaria que V. Exª permitisse a leitura de um importante documento que chegou às nossas mãos, na medida em, que também mostra estar sendo este País alterado independentemente da vontade dos governos até mesmo deste Parlamento.
    É uma nova realidade, Sr. Presidente, que vai sendo constatada pela maioria do povo brasileiro.
    Somos um País mulato, muita cantado em prosa e verso, mas pouco assumido pelas autoridades públicas.
    O documento que leio, para que integre os Anais desta Casa, intitulado “ O negro sob visão política do estadista da República no Brasil de hoje”, tem o seguinte teor:
    “Estamos às vésperas de um novo Recenseamento no Brasil e a manifesta intenção da Fundado do IBGE em não caracterizar a cor dos brasileiros provocou – como era de se esperar – por parte dos sociólogos patrícios, um veemente protesto como mais uma forma disfarçada de racismo e escravagismo.
    É de se indagar por que essa ocultação da cor? Será pelo fato de sermos hoje uma Nação mestiça? Não são poucos os sociólogos que afirmam que mais de setenta por cento dos brasileiros é constituído por mestiços. Assim sendo, contrariamente ao que se afirmava há algumas décadas acerca do “branqueamento” do povo brasileiro, observa-se, atualmente, um “ morenamento” do nosso povo, o que vale dizer, um “escurecimento”, ou seja, uma predominância dos caracteres africanos na nossa gente.”
    O Sr. Presidente ( Alexandre Costa) – A mesa pergunta ao nobre Deputado Elquisson Soares se fala como orador inscrito ou como Líder.
    O Sr. Elquisson Soares – Sr. Presidente, estou falando como Líder, para fazer a leitura do documento. Na verdade, não chega a ser uma comunicação de Liderança, mas um protesto da maioria do povo brasileiro junto ao IBGE.
    O Sr Bonifácio de Andrada – V. Exª não pediu a palavra como Líder.
    Sr. Elquisson Soares – Havia solicitado a palavra, como Líder, para fazer a leitura. Depois V. Exª poderá fazer como Líder da ARENA, o contraprotesto, pois estou tomando esse documento como protesto contra a política do Governo nessa área.”

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  9. Homenagem ao professor da UnB.
    "O lugar da África"
    Autor: José Flávio Sombra Saraiva

    "José Flávio Sombra Saraiva, professor de História da África e de História das Relações Internacionais na Universidade de Brasília desde 1986, é o atual coordenador do doutorado em História da UnB. Ph.D. pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e mestre pelo Colégio do México, o autor vem desempenhando papéis de destaque na áreas educacional e administrativa. Ocupou a função de assessor especial do Desporto Murílio Hingel, entre 1993 e 1994, quando participou da cooperação internacional do Brasil com os países africanos e com o MERCOSUL."

    Pág. 12 do livro:
    "O Atlântico: espaço privilegiado, porém ambíguo.

    Pretende-se demonstrar, nas páginas que se seguem, que a ambiguidade relativa à África pontua a evolução das percepções brasileiras acerca das suas próprias identidades nacionais. Tema embrionariamente desenvolvido por este autor em artigos já publicados, nesta obra o leitor poderá encontrar os motivos pelos quais as relações do Brasil com a África, especialmente com a África negra, não poderão ser medidas nos termos estreitos do tradicional pragmatismo da política exterior brasileira. Valores em xeque, silêncios deliberados e discursos culturalistas engendraram dinâmica muito própria ao rapprochement do Brasil àquele continente. O discurso que embalou as relações materiais entre os dois lados, no período mais recente, fez esforço de reconstrução do passado, em especial das vinculações históricas e culturais que se iniciaram no século XVI entre o Brasil e a África."

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  10. Diário do Congresso Nacional
    Sexta-feira 23, de Março de 1984.
    A Seguir um trecho do discurso do Deputado Luiz Henrique atual Senador o PMDB de SC:
    “O Sr. Luiz Henrique (PMDB – SC. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Centro de estudos Afro-Brasileiros (CEAB) e o Dia Internacional para Eliminação da Discriminação Racial.
    O CEAB, nesta data, marcada por evocações de heroísmo e sacrifício, reafirma, igualmente, os postulados da Carta de Uberaba, documento básico no qual, negros brasileiros e entidades representativas de suas aspirações, expressam o posicionamento político dessa parcela da população. Nessa Carta, os negros colocaram os pontos principais de sua luta na busca do aperfeiçoamento científico, cultural, técnico e profissional que lhes permita acesso aos frutos do desenvolvimento econômico e social do País, que ajudam a construir, mas que, ainda hoje, não lhes estão inteiramente disponíveis.
    A luta do CEAB é pela transposição das barreiras (pobreza, analfabetismo, etc.) que dificultam esse acesso. E essa luta não é apenas do negro, ou em prol do negro, e passa, necessariamente, pela emancipação política do povo brasileiro, através de eleições livres e diretas em todos os níveis, eis que, conforme inserto na letra L da mencionada Carta de Uberaba, a supressão das eleições nessa forma, é uma manifestação de racismo e escravagismo.
    Glória aos Mártires de Sharpeville e que seu sacrifício não tenha sido em vão.
    Leio, Sr. Presidente, a nota distribuída pelo Centro de Estudos Afro-Brasileiros, que consagra uma posição de luta, a luta dos brasileiros pela redemocratização do País e o estabelecimento de uma democracia que não afirme apenas princípios liberais, mas que aprofunde modificações estruturais na sua organização política, econômica e social.
    Muito Obrigado. (Muito bem!)

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  11. Só tenho a agradeçer ao seu Waldimiro por nos colocar informardo sempre da cultura afro brasileira.

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  12. Dep. Domingos Dutra2 de março de 2011 23:47

    Deputado Domingos Dutra vai denunciar o governo do Maranhão na OEA
    O Deputado Domigos Dutra anunciou que encaminhará uma denúncia à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a gravidade da situação carcerária no Maranhão. Segundo o Deputado, em novembro do ano passado, 18 presos foram mortos e quatro decapitados. Agora, no começo de fevereiro, na cidade de Pinheiro, oito presos foram assassinados e quatro tiveram as cabeças separadas dos corpos.
    Barbárie: Presos decapitados em Pinheiro – terra do Senador Sarney.

    "É impossível que perdurem as execuções de presos no sistema penitenciário do Maranhão sem que haja uma providência, sem uma denúncia aos organismos internacionais. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está encaminhando uma denúncia a Organização das Nações Unidas (ONU) e eu estou encaminhando uma denúncia à OEA", enfatizou.
    No ano passado, o Deputado Domingos Dutra esteve em Washington onde entregou o relatório da CPI do Sistema Carcerário à OEA – principalmente relativo ao Estado do Espírito Santo. "Muitas medidas foram tomadas naquele Estado a partir da intervenção dos organismos internacionais. Esperamos o mesmo para o Maranhão", disse.

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  13. II CONAPIR: Vem aí a Plenária Nacional das Comunidades Tradicionais

    fonte:http://www.planalto.gov.br/seppir/informativos/destaque.htm


    Representantes de comunidades remanescentes de quilombos, dos povos de etnia cigana, dos povos indígenas e das comunidades de terreiros vão se reunir em Brasília para discutir as políticas de promoção da igualdade racial. Eles participam, nos dias 6 e 7 de junho, da Plenária Nacional das Comunidades Tradicionais, encontro preparatório para a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II CONAPIR). Durante o evento, serão escolhidos os delegados para a etapa nacional da II CONAPIR.

    O modo de vida das comunidades tradicionais em relação ao restante da população brasileira justifica a realização de uma plenária exclusivamente voltada para elas. Os ciganos, por exemplo, são nômades em sua maioria, o que dificulta sua participação nos encontros estaduais. Além disso, ciganos, indígenas, quilombolas e as comunidades de terreiros sofreram outros tipos de preconceito além do relacionado à etnia.

    Além do ministro da Igualdade Racional, Edson Santos, vão participar da Plenária representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai), dos ministérios do Desenvolvimento Social, da Saúde, da Educação, e várias outras autoridades e especialistas envolvidos com o tema. O encontro será no hotel St. Peter, no Setor Hoteleiro Sul.

    Confira em www.conapir2009.com.br esta e outras notícias sobre a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial

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  14. SEPPIR convoca sociedade para o combate ao racismo com o slogan "Igualdade Racial é pra Valer"

    Data: 21/03/2011

    Por Comunicação Social SEPPIR/PR

    Sem dúvidas, 21 de Março de 2011 marca novos rumos para a Promoção da Igualdade Racial no Brasil. No Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade (SEPPIR), completou oito anos de funcionamento e convocou todo o povo brasileiro para o combate ao racismo, lançando a campanha “Igualdade Racial é pra Valer”. A iniciativa é motivada pelo Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, instituído em 2011 pela Organização das Nações Unidas (ONU).

    “Promover a igualdade racial não é responsabilidade só do movimento negro ou do estado brasileiro, mas de todos. A responsabilidade é coletiva, todos devem sentir-se motivados a realizar ações, por menores que sejam, em prol do país que queremos, um Brasil sem pobreza e sem discriminação”. Foi o que declarou a ministra da SEPPIR, Luiza Bairros, durante seu discurso no auditório do subsolo do Bloco A da Esplanada dos Ministérios, para um público de mais de 300 pessoas, entre parlamentares, parceiros e representantes do movimento negro. De acordo com a ministra, é importante a população não negra perceber que a melhoria da qualidade de vida dos negros representa melhoria para todos. “Nesse processo em que o Brasil passa a ser a quinta economia do mundo, o negro não pode ficar para trás”, destacou.

    Na ocasião, também foi realizada a entrega do Selo Educação para a Igualdade Racial, destinado a escolas, secretarias municipais e estaduais de educação. O selo contemplou iniciativas exitosas na implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana, conforme prevê a Lei 10.639/2003. A professora doutora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva recebeu uma placa pelos relevantes serviços prestados ao país. Bastante aplaudida, Petronilha foi a primeira mulher negra a ter assento no Conselho Nacional de Educação do Ministério da Educação (CNE/MEC) e assumiu a relatoria da Lei 10.639. Emocionada, ela destacou que a homenagem representou o reconhecimento à luta silenciosa dos professores negros contra o racismo e disse que: “é uma honra, e ao mesmo tempo um desafio, ser homenageada nesses oito anos da SEPPIR, pois pretendo continuar trabalhando para superar as desigualdades”.

    Ainda durante a programação, ocorreu uma premiação às crianças vencedoras do concurso cultural As Cores do Saber, iniciativa de parceria entre a BR Petrobras e a SEPPIR. Dois protocolos de intenções - que visam a realização de ações para promover o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado em 20 de outubro de 2010 -, foram assinados pela Petrobras.

    Também foi firmado um acordo de cooperação técnica entre a SEPPIR, o governo do estado do Rio Grande do Sul e o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental da Bacia do Rio Jaguarão (Cideja). O objetivo a conjugação de esforços para o apoio ao desenvolvimento das comunidades quilombolas daquele estado, especialmente as contempladas pelos Programas Brasil Quilombola (PBQ) e Territórios da Cidadania (TC), mediante a articulação de políticas públicas dos governos federal, estadual e municipais. Inicialmente, as regiões atingidas pela estiagem serão foco das ações direcionadas às áreas de direito a cidadania, acesso a terra, desenvolvimento local e inclusão produtiva, infra-estrutura e qualidade de vida.

    As instituições certificadas pelo selo de Educação para a Igualdade Racial, clicando no link do próprio selo no site da SEPPIR: www.seppir.gov.br

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  15. Economia verde e amarela
    (*) Rodrigo Rollemberg

    O último relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) sobre a “economia verde” traça um quadro muito interessante sobre as potencialidades desse novo paradigma econômico. Com efeito, tal documento, intitulado “Rumo a Uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza”, contém avaliações alentadoras da imprescindível transição que o mundo deverá fazer de uma economia “carbonizada” e predatória para uma economia limpa e sustentável.

    O relatório parte de uma constatação que já é óbvia: a economia baseada no carbono, também chamada de “economia marrom”, é insustentável. Tal insustentabilidade não se refere apenas à área ambiental, mas também à área social e à própria racionalidade econômica de longo prazo. De fato, a economia marrom vem esgotando recursos ambientais estratégicos, como a água doce, destruindo a biodiversidade, concentrando renda e riqueza, produzindo escassez de alimentos e inviabilizando o desenvolvimento de longo prazo. Diga-se de passagem, o esgotamento desse modelo está na origem dos atuais conflitos políticos do Oriente Médio.

    Apesar disso, o relatório do PNUMA é otimista quanto à viabilidade da mudança de paradigma econômico. Tal otimismo está embasado em duas grandes conclusões do documento.

    A primeira delas tange ao dinamismo superior da economia verde. Durante muito tempo, desenvolvimento e qualidade ambiental foram encarados como antinômicos: ou se crescia e se gerava empregos ou se preservava o meio ambiente. Pois bem, a conclusão do relatório é a de que a economia verde tende a ser mais dinâmica e a gerar mais empregos do que a economia marrom. Conforme as simulações feitas, um investimento de apenas 2% do PIB mundial em economia verde geraria crescimento maior do que aquele previsto no cenário mais otimista para a economia marrom, ao longo do período 2011-2050.

    A segunda conclusão diz respeito ao fato de que a economia verde é fundamental para o combate à pobreza. Ela teria capacidade maior de gerar empregos e renda para a mão de obra de baixa qualificação. Os investimentos na agricultura de pequena escala, na reciclagem dos resíduos, nos serviços ambientais, no reflorestamento, nas energias renováveis, na construção de prédios mais eficientes, no turismo, no transporte menos poluente, entre outros setores, poderiam gerar ocupação e renda para um enorme número de trabalhadores, especialmente para os mais pobres.

    Portanto, a economia verde poderia mudar a face do planeta, aumentando a nossa qualidade de vida, sem sacrifício do crescimento econômico. Assim como os investimentos no Estado de bem-estar social alteraram a face do capitalismo ao final da Segunda Guerra Mundial, os “investimentos verdes” poderiam acelerar a recuperação econômica e contribuir para que as Metas do Milênio propostas pela ONU sejam atingidas. A transição para a economia verde apresenta, desse modo, mais oportunidades do que riscos.

    Para o Brasil, a economia verde poderia intensificar muito o processo de crescimento econômico com inclusão social iniciado há alguns anos. Nosso potencial é evidente. Temos um capital natural inigualável, com imensa biodiversidade e abundância de recursos estratégicos, e liderança em energias renováveis e na reciclagem de resíduos (destacada no relatório). Estamos controlando o desmatamento e ocupando lugar destaque, com nova atitude propositiva, no debate mundial sobre meio ambiente. Nossa grande debilidade continua a ser a falta de inovação tecnológica, já que o conflito entre preservação e desenvolvimento só será efetivamente superado com a geração massiva de tecnologias limpas.

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  16. Continuação do texto acima:
    Na qualidade de presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado, pretendo iniciar um amplo debate estratégico sobre as perspectivas da economia verde no Brasil. Propostas para “verdejar” o PAC e introduzir contrapartidas ambientais nos programas de transferência de renda precisam ser discutidas.

    Na escola nos ensinavam, embora isso não fosse historicamente correto, que o verde da nossa bandeira simbolizava a natureza e que o amarelo simbolizava as riquezas do Brasil. Temos agora de entender que a nossa grande riqueza é verde e que, neste século decisivo para o futuro do planeta, a economia brasileira, a economia verde e amarela, tem tudo para liderar a mudança do paradigma de produção e consumo.



    * Rodrigo Rollemberg é senador pelo PSB do Distrito Federal e presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado
    rodrigo@rollemberg.com.br

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  17. o curso de engenharia florestal foi criado com a finalidade de um uso sustentável das florestas, sua preservação e a política ambiental.
    Sou aluno da UnB de engenharia florestal e prezo pela conservação e compreensão das pessoas e do meio ambiente.
    Milton Santos na sua dedicação de professor deu uma definição de uso do espaço dentro do espaço no território haja visto o seu projeto de laboratório de geoformologia e estudos regionais. Legou a humanidade uma pespectiva de que o conhecimento vale a pena, ser um pesquisador em varias áreas.

    Fernando Nedel.

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  18. Oi foi a 2ª vez que encontrei o teu blogue e adorei muito!Espectacular Trabalho!
    Adeus

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  19. O primeiro Senador negro da República do Brasil Valdon Varjão.


    Nascido em Cariús, Ceará, a 15 de dezembro de 1923, filho de Manoel Cardoso Varjão e Maria Olímpia Varjão. Garimpeiro, comerciante, agropecuarista, tabelião, contador, contista, escritor, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, jornalista, editor, vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador da república, secretário de estado, poeta e matogrossense de coração. EM 1978 foi eleito suplente do senador Gastão Muller, exercendo por 2 vezes a cadeira de senador,sendo o primeiro negro a ocupar uma cadeira do Senado Federal.


    OBRAS JÁ PUBLICADAS:

    - Como e Por que trabalham os Pedreiros Livres (Maçônica)
    - Barra do Garças no Passado (Histórica)
    - Negro Sim, Escravo Não (Separata de Discurso)
    - Integração Racial (Conferência)
    - Filinto Mullerm Um Líder (Separata de Discurso)
    - Seca do Nordeste (Separata de Discurso)
    - Torixoréu: Cidade Brilhante (Histórica)
    - Quando Estive Senador (Livro Separata)
    - Baliza: Etéreas Reminiscências (Histórica)
    - Amor com Amor se Paga (Romance)
    - Barra do Garças, Migalhas de sua História
    - Garimpeiros: Visionários da Esperança
    - Aragarças: Portal da Marcha para o Oeste
    - Barra do Garças: do Passado ao Presente
    - Janela doTempo: homenagem ao Passado

    7 de janeiro de 2012 20:29

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  20. Olá Waldimiro, parabéns pela dedicação!
    Segue como combinado o link do acervo que contém o livro "Educação e discriminação dos negros".
    http://www.unicap.br/pergamum2/Pergamum/biblioteca/index.php?resolution2=1024_1
    Forte abraço do
    Cláudio Lopes

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